23/03/2007 10:20
House: Uma odisséia
Atenção: Comentários sobre episódios contêm spoilers para quem não viu. Se esse for o seu caso, evite o post
Odisséia
substantivo feminino
1 longa perambulação ou viagem marcada por aventuras, eventos imprevistos e singulares
2 narração de viagem cheia de aventuras singulares e inesperadas
3 travessia ou investigação de caráter intelectual ou espiritual
Um amigo que acaba de começar a ver a primeira temporada de House (graças ao programa de evangelização que realizo com a caixa de DVD embaixo do braço, divulgando a Palavra) demonstrou preocupação com a possibilidade de o formato se tornar cansativo. Ele cogitou esse cansaço, é bom que se diga, após atingir a marca de cinco episódios assistidos em seqüência marca respeitável, mas ainda aquém de meu recorde secreto da memorável maratona Veronica Mars em 2005. De qualquer forma, tranqüilizei o rapaz. Não vai demorar para ele entrar no processo que atinge seu ápice nesta terceira temporada.
Quando House começou, há três anos, era uma série bem escrita com um ator brilhante. E já estava ótimo. Um formato bem definido a tornava um programa acessível a qualquer audiência, mesmo a eventual. Há três anos, se você perguntasse a um telespectador sobre o que a série tratava, ele diria que era sobre um médico sarcástico que desvenda diagnósticos misteriosos. Hoje, o mesmo fã responderia que é a odisséia de um homem em dor. Nenhuma série na TV atual e honestamente eu não me lembro de outra em épocas passadas teve um desenvolvimento tão consistente e orgânico quanto House. A evolução é tão eficiente que até parece natural, espontânea. Coisa que apenas bons escritores sabem fazer.
Nesta nova temporada, o que era desenvolvimento no ano anterior passa a ser realidade e plataforma para novos vôos os pacientes da semana são os eventos imprevistos e as aventuras singulares da definição de odisséia acima, que sempre acrescentam novos elementos à travessia intelectual e emocional de Gregory House. De tal maneira que, em determinado momento mais para frente, há um episódio em que simplesmente não há diagnóstico de doença apenas um diagnóstico pessoal.
House é hoje a odisséia de Gregory. Talvez não tenha a pretensão de ser a odisséia dO homem contemporâneo, mas é sem dúvida a de um homem contemporâneo. Suas duas marcas mais profundas a racionalidade e a discussão sobre a dor são próprias de nosso tempo. Assim como são os valores desse herói, tão diferente dos protagonistas das odisséias da antiguidade, mas, como eles, ainda um personagem que carrega exacerbados os ideais e defeitos de uma época.
A jornada desta odisséia é feita de forma ainda mais interior do que sugerem as quatro paredes do hospital, apesar de as histórias se passarem cada vez mais fora delas. O final da temporada passada representou isso de forma não menos que brilhante. Meaning, o episódio de estréia do novo ano, começa com House ao ar livre, correndo, ao som de Feel Good Inc. É o tipo de mudança que até pode assustar, mas a esta altura ninguém mais se engana - tudo é parte de um processo do personagem, sempre. Nosso herói estará sim em novos cenários este ano. Mas a odisséia continua acontecendo no mesmo lugar: seu cérebro.
enviada por Zapeatrix
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)